E ela se apaixona, de uma maneira pura, só de olhar.
Observando percebe as semelhanças, nota nele o que quer pra si.
Não se cansa de olhar pela janela, e se pergunta qual será o nome do belo rapaz do quarto andar..
Domingo, final de noite, ouvi-se batidas fortes na porta. Ela sentada em seu sofá comendo qualquer coisa antes de dormir, nem se quer pensa em abri-la. Sua mãe então abre a porta e ela ouve aquela voz grave pela primeira vez, sua mãe agradece e fecha a porta, e ela pergunta:
-Era o Sol?
Sua mãe responde:
-Não sua felicidade!
Ela corre para a janela para contemplar seu astro por mais alguns instantes antes de cair na cama. Ele a olha e os dois sorrisos se oferecem. Olhos que não sabem nem ao menos conhecem sua real cor, mas que se admiram todos as noites à luz daquele sol.
Aquela noite foi como a primeira vez que ela o olhou, não havia nada a ser dito, pois os olhos se liam, e os ouvidos eram apenas expectadores da respiração ofegante que ecoava pelo corredor vazio. E ela percebeu que mesmo sem o sol ele ainda brilhava e a aquecia. Por aquela vidraça ela teve a certeza que haveriam de se pertencer, e ele do outro lado nada mais pensava a não ser que no dia em que se falariam pela primeira vez.
Mesmo com tudo favorecendo os sentidos, ela ainda relutava, pois não sabia ao certo o que acontecia. Não sabia se era apenas substituição, carência ou loucura mesmo.
Chegou a sonhar.
Ele não queria saber o que era, pensava apenas no que poderia ser.

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