sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Teatro em nós

E quando nos falta tempo...
Tempo para fazermos o que deveria ser feito.
Tempo para dizermos o que realmente deveria ser dito.
Tempo para sermos o que gostaríamos de ser.
Levantamos todas as manhãs sendo quem somos e vamos ao banho, limpar nosso corpo, lavar nossa alma, e nossa face escorre ralo à baixo.
Nos vestimos com nossas fantasias diárias, nos maquiamos e colocamos em nossa face o mais belo sorriso irônico do dia.
Ficamos assim, quase todos os dias o dia inteiro, sorrindo pra tudo, sorrindo de tudo, sorrindo para todos muitas vezes sem querer.
Máscara diária da face vertiginosa que cobre nossas almas.
Chegamos ao anoitecer e jogamos a bolsa sobre o sofá, arrancamos os sapatos e largamos ali mesmo sobre o tapete da sala, nos olhamos no espelho para parabenizar o personagem de hoje e nos despedir.
Sorrimos mais uma vez com ironia, pois a cada dia vai se tornando mais díficil despir-se do papel principal de nossas vidas, do personagem que estrela nosso cotidiano.

Nos despedimos do público que há em nós e fechamos a cortina de mais um dia.
E quando nos falta tempo...
Nos retiramos e voltamos ao nosso Eu como se de lá nunca antes houvéssemos saído.





2 comentários: